A decisão é da 32ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda e foi proferida nesta quarta-feira (26) pela juíza Adriana Costa.
Além da pena de 3 anos de prisão em regime semiaberto, ela foi condenada ao pagamento de um salário mínimo como multa.
O caso da lotérica
A então estudante se tornou ré nesse processo após ser denunciada pelo Ministério Público por obter vantagem ilícita ao tentar realizar R$ 891,5 mil em apostas e pagar apenas R$ 891,53 — valor mil vezes inferior ao efetivamente devido.
Segundo o MP, Alicia solicitou inicialmente R$ 891,5 mil em apostas e afirmou que estaria realizando transferências via Pix para quitar os valores. Quando as apostas já somavam R$ 193,8 mil, a gerente da lotérica desconfiou da transação e constatou que havia apenas um agendamento de transferência, e não o pagamento efetivo.
Funcionários pediram o comprovante à estudante, que apresentou um extrato de transferência no valor de R$ 891,50 e deixou o local.
De acordo com a investigação, após breve discussão, Alicia saiu da lotérica com cinco apostas de R$ 38,7 mil cada uma. A juíza afirmou na decisão que há prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria.
Sequência dos fatos
As investigações apontam que, em abril de 2022, a estudante realizou quase R$ 20 mil em apostas na Lotofácil, todas pagas via Pix. Depois disso, passou a fazer apostas em valores cada vez mais altos.
No total, segundo a polícia, ela teria apostado R$ 461 mil.
Em julho de 2022, Alicia solicitou R$ 891,5 mil em apostas. Após a operadora de caixa registrar R$ 193,8 mil, a gerente questionou o pagamento. A estudante teria afirmado que havia feito um agendamento da transferência.
Ainda segundo a apuração, ela fez uma movimentação de R$ 891,53, valor muito inferior ao total devido, na tentativa de induzir os funcionários ao erro, simulando que o montante correspondia aos R$ 891,5 mil informados anteriormente.
A polícia também apura se o dinheiro utilizado nas apostas não pagas pode ter origem nos valores desviados da festa de formatura da turma de Medicina da USP.
O g1 entrou em contato com a defesa de Alicia Dudy Muller Veiga e aguarda posicionamento.
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| Alicia Dudy Müller Veiga é acusada de golpe na USP — Foto: Reprodução |
Golpe na USP
Anteriormente, o Ministério Público denunciou a estudante oito vezes por estelionato e uma por estelionato tentado no inquérito sobre o desvio do dinheiro.
De acordo com a comissão de formatura, na época que o caso foi revelado, a suspeita afirmou, por meio de mensagens no WhatsApp, que transferiu a quantia de quase R$ 1 milhão para uma conta pessoal.
A Comissão só percebeu o desvio no dia 6 de janeiro deste ano. Uma das vítimas registrou a ocorrência no dia 10.
Segundo apurado pelo g1, o Instituto de Criminalística analisou ao menos dois celulares, um smartwatch, cartões bancários e HD externo. Foram recuperadas conversas dela com conhecidos em que ela fala sobre os gastos e as mudanças de versões.
Quando o caso veio à tona, Alicia falou com conhecidos sobre a situação e mostrou nas mensagens um suposto arrependimento e disse que estava "vivendo o próprio inferno". Ela chegou a comentar sobre as tentativas de recuperar o dinheiro com apostas na Lotofácil.
O carro de luxo alugado por ela com o dinheiro dos alunos já foi devolvido à empresa em fevereiro.
Por Gustavo Honório, g1 SP — São Paulo
Fonte: g1

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