Orelha morreu após ser agredido no dia 4 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis. Conhecido na região, o animal vivia solto e recebia cuidados coletivos de moradores e comerciantes. O caso é apurado pela Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) e envolve quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nos maus-tratos.
De acordo com a polícia, dois dos jovens já foram ouvidos. Os outros dois devem prestar depoimento na próxima semana. As oitivas ocorrem com acompanhamento de responsável legal, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente. Por se tratar de procedimento protegido por sigilo, a Polícia Civil não divulga datas, horários ou locais.
Durante a apuração, um adolescente que havia sido inicialmente apontado como suspeito passou à condição de testemunha. A mudança ocorreu após a análise de imagens e a apresentação de provas pela família, que indicam que o jovem não estava na Praia Brava no período em que ocorreram as agressões. Segundo a polícia, ele não aparece nos registros analisados.
A investigação enfrenta dificuldades devido à ausência de imagens diretas do momento das agressões. Ainda assim, a polícia analisa vídeos de outros episódios de confusão e vandalismo registrados na mesma região e período, com o objetivo de cruzar informações. A Polícia Científica atua no aprimoramento das imagens disponíveis, enquanto dados obtidos a partir de celulares apreendidos podem auxiliar na reconstituição dos fatos.
Na semana passada, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão contra adolescentes investigados, recolhendo aparelhos celulares e peças de vestuário. Dois dos suspeitos estavam fora do país e retornaram ao Brasil na quinta-feira (29), data em que parte das diligências foi realizada. Outros mandados já haviam sido cumpridos anteriormente em endereços de investigados que estavam no território nacional.
Além do caso envolvendo Orelha, os adolescentes também são investigados por possível participação em outros atos ilícitos ocorridos neste mês na região, como furto de bebidas alcoólicas, danos ao patrimônio e perturbação do sossego. Cada episódio é apurado separadamente, em autos próprios de ato infracional.
Paralelamente, três adultos, pais e um tio de adolescentes investigadosm foram indiciados por suspeita de coação no curso do processo. Segundo a Polícia Civil, dois deles são empresários e o terceiro é advogado. As condutas seguem sob análise da autoridade policial.
O caso provocou mobilização social em Santa Catarina e em outros estados. No domingo (1º), manifestantes ocuparam a Avenida Beira-Mar Norte, uma das principais vias de Florianópolis, pedindo justiça e rapidez nas investigações. O ato reuniu faixas, cartazes, trio elétrico e a presença de animais de estimação, encerrando-se por volta do meio-dia.
Protestos semelhantes foram registrados em cidades como Balneário Camboriú, Blumenau, Criciúma e São José, além de capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Vitória. Na capital paulista, centenas de pessoas se reuniram na Avenida Paulista, em frente ao MASP, em apoio à apuração do caso e à responsabilização por maus-tratos.
Por Mirelle Pinheiro
Fonte: metropoles.com
