De acordo com a decisão judicial, o histórico criminoso dela não tem relevância no processo do inventário do patrimônio de R$ 5 milhões.
"Esclareço que o histórico criminal da herdeira não tem relevância jurídica nestes autos e, considerada a falta de manifestação de interesse por parte do outro herdeiro, é ela a única pessoa apta ao múnus [com o dever legal]", escreveu a juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões, na sua decisão.
A empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima do médico que disputava com Suzane o direito de administrar os bens dele até que a conclusão da partilha da herança.
Ele morreu aos 76 anos, solteiro, sem filhos e sem testamento. Pela lei de sucessão, a herança deve ser transmitida aos sobrinhos vivos — no caso, Suzane e o irmão dela, Andreas. O espólio inclui dois imóveis e um carro, avaliados em cerca de R$ 5 milhões.
O médico era irmão de Marísia, assassinada com o marido, Manfred, em 2002. Daniel Cravinhos, então namorado de Suzane, e o irmão dele, Cristian, também foram condenados pelo crime.
Ser inventariante é exercer uma função prevista em lei no processo de inventário, etapa que formaliza a sucessão dos bens de uma pessoa que morreu. Na prática, significa que Suzane passa a administrar e preservar o patrimônio do tio até que a Justiça conclua a partilha.
Isso não a torna automaticamente herdeira, mas ela pode pedir esse direito no processo. Até lá, Suzane será responsável por gerenciar os imóveis, contas e o carro deixado por Miguel, sempre sob supervisão judicial, sem poder vender, usufruir ou transferir nada.
Ela também deverá prestar contas à Justiça sobre todos os atos praticados como administradora do espólio.
A equipe de reportagem tenta contato com a defesa de Suzane. A advogada de Andreas afirmou em outras ocasiões que nem ela nem o cliente irá comentar o assunto.
Defesa da prima vai recorrer
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| Suzane, que tirou o sobrenome Richthofen; Miguel Netto, seu tio; e Carmem Magnani, prima dele — Foto: Reprodução/Luara Leimig/TV Vanguarda e Arquivo pessoal |
A defesa de Carmem disse que irá recorrer da decisão que colocou Suzane como inventariante do espólio de Miguel.
Em nota ao g1, a defesa disse que foi surpreendida com a decisão judicial antes do fim do prazo, que vai até 10 de fevereiro, para que fossem apresentados documentos que, segundo ela, comprovariam uma união estável entre Carmem e Miguel, negada por ele em vida.
Miguel havia sido tutor de Andreas após o assassinato dos pais dos irmãos Richthofen. Os dois, porém, romperam anos depois. O médico também havia contratado advogados para impedir Suzane de receber a herança de Marísia e Manfred.
Em 2015, a Justiça declarou Suzane indigna e transferiu aos R$ 10 milhões do patrimônio dos von Richthofen apenas para Andreas.
Empresária acusa Suzane
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| À esquerda, portão do sobrado onde Miguel Netto morava e foi encontrado morto; à direita, sala do apartamento onde sua prima, Carmem Magnani, morou — Foto: Reprodução/Google Maps/Arquivo pessoal |
Nesta semana, Carmem registrou um boletim de ocorrência acusando Suzane de retirar sem autorização judicial bens da casa de Miguel, como um carro, uma máquina de lavar, um sofá e uma cadeira. Segundo o registro, documentos e dinheiro também desapareceram.
A Polícia Civil investiga se houve invasão e furto na residência. A morte do médico segue em apuração: peritos trabalham com a hipótese de infarto, mas o caso ainda é tratado como suspeito.
A prima de Miguel conseguiu autorização policial para liberar o corpo e realizar o sepultamento no interior de São Paulo. Suzane também foi à delegacia com o mesmo pedido, mas não foi autorizada porque chegou depois.
PL pode atingir Suzane
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| Foto: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo/Arquivo |
Paralelamente, tramita na Câmara dos Deputados em Brasília o Projeto de Lei (PL) apresentado pelo deputado federal Fernando Marangoni (União Brasil‑SP).
A proposta altera o artigo 1.814 do Código Civil para impedir que herdeiros condenados por crimes dolosos contra parentes de até terceiro grau, como tios e sobrinhos, recebam herança.
Se aprovado, o texto pode atingir diretamente Suzane na disputa pelo patrimônio estimado deixado pelo tio.
O caso Richthofen
Há 23 anos, o engenheiro Manfred von Richthofen, de 49 anos, e a psiquiatra Marísia, de 50, foram encontrados mortos na mansão onde moravam, também no Campo Belo.
A polícia descobriu que Suzane havia mandado seu namorado à época, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, matarem o casal com golpes de barras de ferro.
Os três tentaram simular um latrocínio (roubo seguido de morte), mas depois confessaram o crime e foram presos. O motivo seria a oposição dos pais ao namoro de Suzane com Daniel, além do interesse na herança da família. Andreas não estava na casa e não sabia do plano.
Em 2006, Suzane, Daniel e Cravinhos foram julgados e condenados pelos assassinatos de Manfred e Marísia. Ela e o então namorado receberam penas idênticas de 39 anos de prisão. Cristian foi punido com 38 anos.
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| Cristian, Daniel e Suzane von Richtofen, na época em que foram presos, em 2002 — Foto: Reprodução/ Globo News |
Suzane deixou a prisão em 2023 e passou a trabalhar com produção e venda online de chinelos, bolsas e pulseiras. Ela, que antes se chamava Suzane Louise von Richthofen mudou o nome para Suzane Louise Magnani Muniz, adotado desde que se casou em 2023 com o médico Felipe Zecchini Muniz. Ambos têm 42 anos e moram em Bragança Paulista, interior paulista. Em 2024 tiveram um filho.
Daniel saiu em 2018 e hoje, aos 44 anos, atua na customização de motos. Cristian foi solto em 2025 e trabalha com o irmão; ele tem 49 anos.
Por João de Mari, Kleber Tomaz, g1 SP — São Paulo
Fonte: g1

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