Ainda conforme O Globo, o material analisado não se baseia apenas em capturas de tela ou em anotações feitas pelo próprio banqueiro. Os dados teriam sido obtidos por meio de um procedimento de extração forense do celular utilizando um software empregado pela Polícia Federal em investigações.
A ferramenta permite visualizar simultaneamente a interface do WhatsApp e arquivos enviados em formato de visualização única — recurso que normalmente impede o armazenamento permanente de imagens ou vídeos. Na prática, segundo o jornal, o procedimento possibilitou recuperar conteúdos que teriam sido enviados dessa forma.
De acordo com o veículo, os dados indicam que Vorcaro teria trocado mensagens com o ministro no dia 17 de novembro de 2025, quando foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos. As conversas teriam ocorrido ao longo de todo o dia — da manhã até a noite — enquanto o banqueiro era abordado pelos agentes.
Nas mensagens, segundo a reportagem, Vorcaro informaria o interlocutor sobre negociações envolvendo a venda do Banco Master e faria referência a um inquérito sigiloso em tramitação na Justiça Federal de Brasília.
O número atribuído ao ministro teria respondido quatro vezes às mensagens enviadas por Vorcaro com imagens de visualização única e reagido com emojis de aprovação à primeira e à última mensagem enviadas pelo banqueiro.
A divulgação das informações ocorre após o ministro negar que o contato de telefone presente nos prints pertença a ele. Em nota divulgada na sexta-feira (6), o gabinete de Moraes informou que uma análise técnica identificou incompatibilidade entre o número associado às mensagens e os contatos do magistrado.
Segundo o documento, os registros enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS estariam vinculados a outras pastas da lista de contatos de Vorcaro. “No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, pontua trecho.
O comunicado acrescenta que as imagens aparecem na mesma pasta do computador de Vorcaro — responsável pelas capturas de tela — e estariam associadas a outros contatos telefônicos armazenados no dispositivo.
Vorcaro está preso, pela segunda vez, desde quarta-feira (4/3), após ter a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do STF. Nesta sexta-feira (6/3), ele foi transferido da Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, para a Penitenciária Federal de Brasília, no Complexo da Papuda.
A mudança foi solicitada pela Polícia Federal, que apontou a capacidade de articulação do banqueiro em diferentes setores da vida pública e empresarial. Segundo a corporação, essa influência poderia representar risco ao andamento das investigações e ao cumprimento de ordens judiciais.
Fonte: correiobraziliense.com.br
