Vorcaro é investigado por fraudes bilionárias relacionadas ao Master e foi preso de novo nesta quarta-feira (4), por ordem do ministro André Mendonça, que se tornou relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) após a saída de Dias Toffoli.
Na decisão, Mendonça apontou que a prisão se justifica porque há risco à ordem pública, às investigações e a autoridades envolvidas.
Também foram presos:
• Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador finaceiro de seus esquemas fraudulentos;
• Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário” e apontado como coordenador de uma milícia privada chamada "A Turma", usada pelo banqueiro para monitorar ilegalmente e ameaçar adversários, autoridades e jornalistas;
• Marilson Roseno da Silva, integrante do grupo "A Turma" que, segundo a investigação, usou sua experiência e contatos para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina.
Em nota, os advogados de Vorcaro afirmaram que o empresário jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça. A defesa de Zettel disse que ele está à disposição das autoridades.
De acordo com a investigação, Mourão realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.
Os acessos teriam sido feitos com o uso de credenciais funcionais de terceiros, o que permitia obter informações protegidas por sigilo institucional.
Com essa metodologia, segundo a Polícia Federal, o investigado teria conseguido acessar indevidamente sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
As investigações também indicam que Mourão participava de tratativas para obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e outras pessoas consideradas de interesse da organização.
Essas informações, segundo a decisão, eram repassadas a integrantes do grupo responsáveis pela definição de estratégias e pela tomada de decisões dentro da organização, como à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais considerados prejudiciais aos interesses do grupo.
Estrutura de vigilância
Mourão é apontado pelos investigadores como coordenador operacional da chamada “Turma”, uma estrutura privada de vigilância criada para atender aos interesses do grupo ligado ao Banco Master.
Segundo a investigação, ele executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), descreve que a organização criminosa investigada pela PF era estruturada em diferentes núcleos, com funções definidas entre os integrantes.
No topo do grupo estaria Daniel Bueno Vorcaro, apontado como líder da organização e controlador do Banco Master. Segundo a investigação, ele definia estratégias financeiras e também autorizava ações de monitoramento e intimidação contra desafetos e jornalistas.
O núcleo operacional incluía ainda Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro e responsável pela operacionalização de pagamentos e contratos simulados, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que, segundo a PF, utilizava experiência e contatos na área policial para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina.
Investigação e nova fase da operação
As informações sobre os acessos indevidos aos sistemas fazem parte da investigação que levou à terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4).
A decisão do ministro André Mendonça que autorizou as medidas cita indícios de organização criminosa, danos bilionários ao sistema financeiro e risco de interferência nas investigações.
A operação atende a pedido da Polícia Federal, que apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.
Além de Vorcaro, foram alvo da operação da PF Fabiano Zettel, o próprio Luiz Phillipi Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
Por Márcio Falcão, Camila da Silva, TV Globo e g1
Fonte: g1
