A parlamentar do PL (Partido Liberal) criticou a liderança de Erika Hilton, primeira mulher trans eleita para presidir a comissão. Rosana Valle reclamou, por exemplo, da falta de deliberação de um requerimento de sua autoria para uma audiência pública sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da endometriose.
“Enquanto mulher, na condição de mulher, a senhora não me representa. Nós estamos aqui para impedir que a comissão se torne, e aliás se tornou, uma comissão de militância ideológica”, disparou a deputada.
“A senhora grita, a senhora fala com uma indignação, parece que vai partir para uma agressão. E falo mais: se a Vossa Excelência vier para cima de mim, para me enfrentar aqui, nós vamos procurar a Lei Maria da Penha porque a senhora tem a força de um homem, não tem a força de uma mulher”, concluiu.
A declaração provocou a reação de colegas, como a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), que considerou a fala transfóbica. Erika Hilton pediu para as aliadas não acirrarem a discussão: “Não entra nessa, que é a única maneira que algumas pessoas são capazes de aparecer”.
A deputada do PSOL qualificou Rosana Valle como “agressiva, odiosa e desrespeitosa”, devolvendo a ameaça de recorrer à legislação caso a parlamentar “partisse para cima” dela.
“A Vossa Excelência não pode esperar que eu ouça os horrores. Vossa Excelência disse barbaridades contra mim. Ninguém vai tirar o meu direito de falar enquanto deputada”, respondeu Erika Hilton.
“Se Vossa Excelência acha que eu grito, eu lhe oriento a comprar um protetor auricular, porque quando eu descer enquanto membra, gritarei o que for necessário. Fui silenciada e calada durante muito tempo, e agora gritarei tudo aquilo que eu acho que é verdade”, declarou.
Por Beatriz Rohde
Fonte: ndmais.com.br
