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Da m0rt3 do avô à desconfiança da família: neto suspeito de desviar R$ 37 milhões da avó administrou bens por 15 anos

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Via @portalg1 | O zootecnista Fabiano Pedrosa Leão, suspeito de desviar R$ 37 milhões da avó, Angélica Gonçalves Pedrosa, em Firminópolis, administrou os bens da idosa por cerca de 15 anos após a morte do avô, em 2009. Ao g1, o delegado Alexandre Bruno explicou que Fabiano ficou com a responsabilidade por ter a confiança da família e conhecimento nos negócios agrícolas da família, por ter convivido com os avós desde criança.

Além de Fabiano, a mãe dele, identificada como Marli Gonçalves Pedrosa Leão, bancários, fazendeiros da região e funcionários de cartórios também são investigados. O g1 não conseguiu localizar as defesas dos suspeitos.

Confiança

Fabiano Pedrosa ao lado da avó, Angélica Gonçalves, em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Por ter estudado zootecnia, o delegado pontuou que Fabiano mostrou ter ainda mais conhecimento técnico na área. Além de ajudar a administrar os negócios, ele também ficou responsável por fazer os repasses dos lucros às filhas da idosa e tias dele.

Ainda de acordo com Fabiano, a idosa também iniciou um tratamento contra o câncer em certo momento, que a polícia não soube especificar quando. Durante esta fase, Fabiano também teria ficado responsável pelos repasses sobre o tratamento da idosa.

Após a morte de Angélica Gonçalves Pedrosa, em maio de 2024, Fabiano se tornou inventariante junto com a mãe, ficando responsáveis por repartir os bens entre as tias, de acordo com o delegado.

As investigações revelaram que ele chegou a sacar cerca de R$ 1,4 milhão dois dias após a morte da avó, que justificou, em um primeiro depoimento, em 2025, que o valor havia sido dividido entre as tias para o pagamento de dívidas.

Desconfiança

A desconfiança de que a divisão teria sido feita de forma indevida e dos desvios nos negócios agropecuários da avó aconteceu em fevereiro de 2025. A desconfiança sobre os repasses começou por uma das quatro tias do suspeito, que procurou um advogado.

De acordo com Alexandre Lourenço, advogado procurado pela tia, os familiares perceberam que as movimentações eram realmente suspeitas assim que tiveram acesso às contas bancárias de Angélica.

"A avó, dona Angélica, vivia com uma pensão de aproximadamente R$ 7 mil, muito pouco disso era complementado pelo rendimento do patrimônio, então, cadê o restante? Então, paralelo a isso, a família narra um crescimento patrimonial bastante vultoso da parte dele", explicou Lourenço.

Após isso, ela procurou a Polícia Civil para denunciar Fabiano, segundo o delegado.

"[Ele] administrava a fazenda, os negócios da família, os rendimentos que a fazenda dava e as tias não faziam retirada nenhuma. Ele foi fazendo retiradas enquanto as tias não faziam, por isso que se deu essa investigação", pontuou Alexandre.

Busca e apreensão

Armas foram encontradas na casa de Fabiano durante cumprimento de mandado — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Na segunda-feira (13), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dos suspeitos. Na de Fabiano, duas armas de fogo irregulares foram encontradas e ele foi preso em flagrante por posse ilegal, mas liberado após pagar fiança, segundo dados do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).

Ainda de acordo com Alexandre, à TV Anhanguera, Fabiano teria contado com a ajuda de outros suspeitos para desviar os valores, incluindo bancários, funcionários de cartórios e fazendeiros da região. Ele não divulgou o número de envolvidos, mas destacou que um processo de indiciamento contra eles também estava sendo realizado até a última atualização desta reportagem.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que não divulgou um prazo para a conclusão do inquérito.

Infográfico — Foto: Arte/g1

Por Vinicius Moraes, g1 Goiás
Fonte: g1

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