“Mulher minha nenhuma se mete em política. Mulher em política, esqueça”, disse.
A fala ocorreu na sexta-feira da semana passada durante uma entrevista a uma emissora de rádio de Itabaiana, cidade localizada a cerca de uma hora de Aracaju, na qual ele foi prefeito.
Avaliada como violência política de gênero, a fala se tornou rapidamente alvo de críticas nas redes sociais.
A declaração acontece em um estado em que a maior parte do eleitorado é feminino.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 917.449 mulheres, o que representa 53% do total de eleitores.
Além disso, a população feminina compõe a maioria dos 2,2 milhões de habitantes de Sergipe, com 52%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Série de polêmicas
O episódio se soma a uma série de polêmicas e processos judiciais envolvendo Valmir de Francisquinho, que renunciou ao cargo de prefeito de Itabaiana no mês passado para disputar o governo do Estado.
Além de ter sido preso em 2018 e condenado em 2024 por desvio de taxas do matadouro municipal, ele teve a candidatura ao Executivo estadual em 2022 impugnada após uma condenação por abuso de poder político e econômico, em 2019.
O político, alinhado ao bolsonarismo, tenta novamente concorrer ao governo do estado, com o apoio da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos).
Nos bastidores, a fala foi recebida de forma negativa pela gestora municipal, que foi candidata a vice-governadora na chapa de Valmir no último pleito.
Valmir de Francisquinho acumula denúncias sobre a administração dele em Itabaiana, incluindo processos no Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJSE).
Além do caso de improbidade administrativa no âmbito do matadouro público da cidade, o ex-prefeito responde a uma ação na qual ele foi denunciado por suposto desvio de parte da arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
O que diz o pré-candidato
Procurado pelo Metrópoles, o político alegou, em nota, que não teve “qualquer intenção de desrespeitar as mulheres ou diminuir o papel feminino na política”.
Valmir de Francisquinho justificou que, na entrevista, se referia apenas à mulher dele.
“Quem me conhece sabe da relação de respeito que sempre tive com as mulheres da minha família, da minha vida pessoal e também da vida pública. Quando falei sobre minha esposa, me referia exclusivamente a uma escolha pessoal dela”, declarou.
“Jamais seria contra mulheres na política. Pelo contrário. Defendo que as mulheres ocupem cada vez mais espaços de liderança, participação e decisão. Hoje, vemos mulheres exercendo papéis fundamentais em todos os setores da sociedade, e isso precisa ser valorizado e fortalecido”, acrescentou o ex-prefeito.
Por Luana Patriolino
Fonte: metropoles.com
