Flávia foi exonerada do cargo por ter sido excluída das cotas raciais do concurso (veja mais detalhes abaixo). Ao g1, ela comentou a decisão:
"Eu me sinto bastante aliviada e confiante. Isso garante minha posse sem possibilidade de nenhum questionamento judicial. Me sinto bem mais segura de poder voltar a trabalhar, voltar para onde eu acredito que eu não devia nem ter saído. Quero contribuir para o serviço exterior brasileiro e conseguir organizar minha vida. Me sinto muito feliz e muito animada", diz Flávia.
O acordo foi firmado pela Advocacia-Geral da União (AGU) e ainda terá de ser homologado pela Justiça. Ele prevê que:
• Flávia Medeiros será nomeada e tomará posse no cargo, a partir da data da nova publicação e sem retroativos;
• em troca, Flávia também abre mão de eventuais pedidos de indenização ou reparação moral em relação ao processo até aqui;
• o processo na Justiça é encerrado, e todos os recursos ou pendências ficam prejudicados.
Relembre o caso
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| Flavia Medeiros, servidora do Itamaraty exonerada por 'reprovar' em banca racial — Foto: Emanuelle Sena/ AscomAGU |
Flávia passou no concurso em 2024, mas foi excluída das cotas raciais. O argumento da banca, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), foi de que ela tinha "pele clara, cabelo lisos e traços finos" — ou seja, características incompatíveis com a autodeclaração racial.
• A candidata chegou a entrar com recurso, mas foi indeferido pela banca. Então, ela entrou na Justiça Federal, apresentou documentação, histórico acadêmico e provas fotográficas;
• A Justiça reconheceu inconsistência da decisão da banca, garantindo o retorno de Flávia ao concurso durante todas as etapas do processo. Com base nessa decisão, ela foi aprovada no curso de formação e tomou posse no Itamaraty;
• No entanto, quando o processo de Flávia foi para a 2ª instância, um desembargador entendeu que ela não poderia ter assumido a vaga, já que a primeira decisão falava apenas da permanência dela no concurso, e não especificamente da posse;
• Por causa disso, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) anulou a decisão anterior que havia dado a Flávia o direito de seguir no certame. Como ela já havia tomado posse, sua exoneração saiu no Diário Oficial da União (DOU), no dia 22 de maio.
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| Flávia Medeiros, à esqueda com 29 anos, e à direita quando era criança — Foto: Arquivo pessoal/Reprodução |
Flávia morava em Vitória (ES), quando passou no concurso, e conta que se mudou para Brasília apenas para tomar posse no Itamaraty. Além disso, firmou contrato de 36 meses de aluguel e pediu demissão de seu antigo emprego.
"Foi uma sensação de completo desespero, de faltar o chão mesmo, porque tudo que eu tinha planejado, tinha feito a mudança para Brasília, para tomar posse, tudo isso tinha ficado meio suspenso", conta.
Segundo Flávia, na época da exoneração, a repercussão do caso foi muito importante. "Eu acabei buscando a mídia como um caminho de dar visibilidade para isso, e saíram muitas notícias depois da exoneração. O caso acabou viralizando também nas redes sociais, onde eu também fui colocar meu posicionamento para poder chamar a atenção para o fato".
"Mesmo agora, voltando ao trabalho, eu acredito que a gente deve continuar falando sobre o tema. Porque meu caso não foi um caso isolado. Então, eu também espero que isso contribua dando visibilidade para outras injustiças, para a gente discutir como sociedade o que a gente pode fazer a respeito desses casos. Espero que tenha dobramentos positivos para outras pessoas que estão passando por isso", afirma.
Por Brenda Ortiz, g1 DF
Fonte: g1

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