Segundo o boletim de ocorrência, a vítima é praticante da umbanda e relatou que não estava em casa no momento em que o pastor de uma igreja evangélica, identificado como Sérgio Britto, teria abordado seus familiares em frente à residência.
Ao tomar conhecimento da situação, o morador foi até o local onde o pastor estava e afirma ter ouvido declarações ofensivas contra seguidores de religiões de matriz africana.
De acordo com o relato registrado na polícia e também em vídeo, o pastor teria dito que "todo macumbeiro, feiticeiro e umbandeiro vai ser julgado e parar no inferno". A vítima também afirmou que o religioso passou a segui-lo até sua residência enquanto continuava fazendo declarações relacionadas à sua crença.
Ainda conforme o registro policial, o pastor se ajoelhou próximo ao imóvel e começou a recitar trechos da Bíblia. O morador alegou que a situação causou constrangimento e perturbou a tranquilidade da família.
Vídeos gravados durante o episódio devem ajudar na apuração do caso. Em uma das imagens, o pastor aparece ajoelhado em frente ao terreiro, segurando uma Bíblia em uma das mãos e erguendo a outra em direção ao céu. Em outro vídeo, ele volta a fazer declarações críticas às religiões de matriz africana.
Após o ocorrido, a vítima procurou apoio da Polícia Militar e foi orientada a registrar a denúncia na delegacia. No boletim de ocorrência, o homem informou que deseja representar criminalmente contra o autor dos fatos.
A Polícia Civil apura se as declarações configuram o crime de praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito religioso. O caso segue sob investigação.
O que diz o pastor
Procurado pela reportagem, o pastor negou ter feito as declarações relatadas pela vítima.
Ele afirmou que atua como pregador do evangelho em ruas e praças e que apenas transmite os ensinamentos da Bíblia. Segundo ele, não houve intenção de ofender ou discriminar ninguém.
O religioso também alegou ter sido alvo de xingamentos durante a situação e disse que apenas afirmou que pessoas que permanecem em práticas que considera contrárias aos ensinamentos bíblicos, sem arrependimento, podem ser condenadas, conforme sua interpretação das Escrituras.
Por Mirian Machado, Lucas Oliver, g1 MS e TV Morena — Mato Grosso do Sul
Fonte: g1
