A OAB compareceu à sessão por não ter tido acesso ao projeto e para pedir transparência e acompanhamento da classe, para eventual apoio ou sugestão de mudanças às alterações administrativas que seriam votadas. A Ordem argumentou que não tinha conhecimento do projeto e gostaria de avaliar o tema junto à advocacia para posterior deliberação.
Foi nesse momento que a desembargadora extrapolou no tom: “O que é que a OAB está fazendo aqui? Eu acho que deveria ter certa responsabilidade nisso. A pessoa vem aqui sustentar, falar. A gente só tem uma decisão a cumprir. A decisão do corregedor. Quando ele diz vamos reestruturar, vamos reestruturar, porque o primeiro grau não tá fazendo nada e tá cheio de servidor, posso tirar uns e colocar no segundo grau. Aí vem a OAB e diz coisa absurda. Não sei o que a OAB está fazendo aqui. Vocês amados desembargadores tiveram muita cautela, delicadeza, mas eu não tenho, não”.
A vice-presidente do TRT-ES ainda criticou duramente a atuação dos magistrados e servidores da primeira instância do tribunal. Ao justificar a adoção irrestrita das medidas de reestruturação, Chamberlain minimizou o volume de trabalho nas Varas do Trabalho, afirmando de forma categórica que o primeiro grau "não tá fazendo nada" e que estaria com excesso de funcionários. A argumentação foi utilizada pela magistrada como premissa básica para legitimar a remoção de servidores da base para reforçar os gabinetes da segunda instância da Corte.
Não é a primeira vez que a desembargadora se envolve em polêmicas. Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain é vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-ES) e atualmente está proibida de exercer a presidência da Corte ou qualquer outro cargo de direção, com exceção da própria vice-presidência.
Chamberlain é alvo de investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por má conduta e falta de urbanidade, após publicar mensagens agressivas e com viés político-partidário em um grupo de WhatsApp integrado por outros magistrados da Justiça do Trabalho.
Durante as discussões no aplicativo de mensagens, a desembargadora chamou um colega de "gentalha" e avisou: "Quando eu for presidente do Tribunal, menina, a direita já tratorou a esquerda toda".
A vedação ao exercício de cargos de liderança foi imposta pelo CNJ no âmbito de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e permanece válida até que o mérito do PAD seja julgado de forma definitiva.
Fonte: JuriNews
