Proibido short, cropped e boné: faculdade determina código de vestimenta para alunos e pacientes

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Via @correio24horas | A Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia (FOUFBA) aprovou um código de vestimenta para alunos, professores, funcionários e pacientes nos ambientes acadêmico e assistencial, como o ambulatório. A lista de restrições inclui o uso de minissaias, croppeds, bonés, roupas decotadas e shorts curtos. A medida já está em vigor.

O comunicado foi publicado em grupos de redes sociais e confirmado pela diretoria da faculdade. O texto informa que a decisão foi tomada em Congregação, com o objetivo de manter um ambiente compatível com as atividades desenvolvidas na faculdade.

As restrições, no entanto, não foram bem recebidas por um grupo de alunos. No grupo onde o comunicado foi compartilhado, estudantes protestaram contra a decisão. “E a Congregação decidiu estabelecer como as mulheres da FOUFBA devem se vestir”, “É 1800, é? Um calor de Salvador e não poder usar um cropped” e “As pacientes, antes de irem à faculdade cuidar da saúde bucal gratuitamente pelo SUS, vão antes na Avenida Sete ou shopping comprar as roupas adequadas” são algumas das críticas.

Uma estudante, que pediu para não ser identificada, reclamou ainda que o código de vestimenta só atinge mulheres. “Roupa não tem gênero, obviamente, mas quem normalmente utiliza cropped, minissaia, short são mulheres. O ponto é que é arcaico, machista e opressor. Não tem como limitar o espaço da universidade pública e dizer o que a pessoa vai vestir ou deixar de vestir. O boné é justificável, mas o restante é machista”, declarou.

Já o diretor da faculdade, Marcel Arriaga, ressaltou que os alunos também têm assento na Congregação e que a proposta partiu de lideranças femininas. Segundo o professor, o objetivo do código de vestimenta é cuidar da biossegurança e diminuir casos de assédio.

“A gente trabalha num ambiente [ambulatorial] que, por princípio, é contaminado. Quanto menos exposto entrar no ambiente, melhor. A pessoa entra de camiseta sem manga, a gente tem que fazer algumas restrições. Também entra a questão de diminuição de assédio. Já teve caso de paciente com bermuda se masturbando dentro do consultório. Então short não pode entrar agora”, argumenta.

“O boné é uma questão de segurança, mas sempre existiu aqui. Não deixamos entrar de boné, porque já tivemos casos de furtos e a gente repara que a pessoa costuma entrar com boné e cabeça abaixada, assim não dá para identificar o suspeito que entrou. Não é no sentido de moralidade, como alguns alunos estão pensando, de restringir vestimenta das mulheres. Tem mais a ver com paciente”, acrescenta.

Arriaga ainda lembrou que o Hospital das Clínicas da Ufba também possui código de vestimenta e, assim como no local, os pacientes não deixarão de ser atendidos por conta da roupa.

A reportagem procurou a Universidade Federal da Bahia (Ufba) para se pronunciar sobre o caso, mas recebeu a orientação de procurar diretamente a faculdade.

Por Esther Morais
Fonte: correio24horas.com.br

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