A avaliação consta da decisão em que o ministro autorizou as medidas contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros investigados. Ao fundamentar as buscas, o ministro afirmou que as “fundadas razões” exigidas pelo Código de Processo Penal estavam “fartamente demonstradas” na representação apresentada pela PF.
Segundo a PF, há indícios da existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados que teria direcionado recursos federais, por meio de termos de fomento custeados por emendas parlamentares, a organizações da sociedade civil. Entre elas estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
Dark Horse
A investigação também identificou movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas à produção do filme. A decisão de Dino cita levantamentos da PF que apresentam Karina Ferreira da Gama como empresária ligada ao filme e próxima politicamente de Mario Frias. Ela teria participado da campanha eleitoral do deputado em 2022.
O documento registra ainda que uma empresa de propriedade de Karina prestou serviços à campanha de Frias. Posteriormente, o Instituto Conhecer Brasil, presidido por ela, recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares de autoria do deputado.
A PF também identificou transferências feitas pelo próprio Frias à Go Up Entertainment, empresa ligada a Karina e responsável pela produção do filme. Foram R$ 645,4 mil transferidos em menos de 60 dias.
Segundo a investigação, os rendimentos mensais do deputado eram de aproximadamente R$ 44 mil. Por isso, os investigadores passaram a analisar o “lastro financeiro” utilizado por ele para realizar os repasses.
Outro ponto levantado pela PF envolve uma transferência de R$ 750 mil da empresa NTT Brasil para a Go Up Entertainment durante o período de gravações de Dark Horse, entre outubro e dezembro de 2025.
A movimentação foi considerada pelos investigadores compatível com os R$ 700 mil repassados pelo Instituto Conhecer Brasil a empresas do mesmo grupo editorial no âmbito do termo de fomento.
Operação
A Operação Make Up foi realizada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão pelo STF, cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
A coluna apurou que os investigadores apreenderam o celular de Mario Frias. Também foram apreendidas sete armas de fogo e carros de luxo ligados ao parlamentar.
Por Giovanna Sfalsin, Mirelle Pinheiro
Fonte: metropoles.com
