A defesa de Michel informou que irá recorrer da sentença, respeitando integralmente a decisão proferida e as instituições envolvidas. "Entendemos que existem questões jurídicas relevantes que deverão ser reexaminadas pelo Tribunal, razão pela qual apresentaremos oportunamente o recurso de apelação. A defesa seguirá atuando de forma técnica, serena e responsável, confiando no regular funcionamento das instâncias judiciais", afirmou o advogado Matheus Tavares Neves.
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que o registro do advogado está suspenso preventivamente. O Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-GO instaurou procedimento para apuração de desvio profissional.
Michel foi preso em julho de 2026. Conforme a sentença do juiz Breno Gustavo Gonçalves dos Santos, divulgada nesta quarta-feira (30), ele foi condenado por crimes contra 27 vítimas e absolvido em um caso. Durante o interrogatório, o réu confessou ter cometido os atos. O magistrado negou o direito de Michel recorrer em liberdade.
Como funcionavam as fraudes
Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás, Michel prometia reduzir de forma significativa juros e parcelas de financiamentos de imóveis e veículos. Depois de estabelecer a relação de confiança, conforme a decisão, ele pedia novos pagamentos sob a justificativa de que seriam necessários para custear despesas processuais, como taxas judiciais, guias, perícias e depósitos em juízo.
Em alguns casos, o então advogado orientava os clientes a deixar de pagar as parcelas de financiamentos ou imóveis e entregar os valores diretamente a ele, sob a alegação de que o dinheiro seria depositado em contas vinculadas à Justiça.
A sentença aponta que os valores não eram utilizados para as finalidades informadas. Em diferentes casos, processos foram extintos sem resolução do mérito por falta de providências e as vítimas só perceberam a situação quando passaram a enfrentar problemas como cobranças, ordens de despejo e risco de perda de imóveis.
Vítima
Em entrevista à TV Anhanguera, uma das vítimas detalhou as orientações que Michel passava e o que acontecia em seguida. Adeildo Leite de Araújo disse que o advogado lhe pedia que parasse de pagar as prestações, para forçar o loteamento a uma negociação. Ao mesmo tempo, pedia dinheiro para quitar algumas parcelas atrasadas.
"Ele ligava fora do horário, pedindo PIX para pagar duas, três prestações que estavam mais atrasadas. A gente enviava o PIX para ele. E nada foi pago", disse Adeildo.
Por Paula Resende, g1 Goiás
Fonte: g1
