O vídeo é protagonizado por Pavanato, que usa uma peruca, e Eduarda Campopiano, deputada estadual eleita (PL-SP). Eles encenam o seguinte diálogo:
Campopiano: “Eu sou uma mulher.”
Pavanato: “Eu posso ser mulher.”
Campopiano: “Eu uso o banheiro feminino.”
Pavanato: “E eu também posso usar o banheiro feminino.”
Campopiano: “Eu não tenho cota na universidade.”
Pavanato: “Eu tenho cota trans na universidade.”
Campopiano: “Eu tenho útero.”
Pavanato: “Eu não tenho útero.”
Ambos: “Mas nós duas somos mulheres…”
Campopiano: “…perante a lei.”
Pavanato: “Eu não aguento mais essa palhaçada. Homem é homem e mulher é…”
A Antra pede à Justiça a retirada do vídeo, retratação pública, proibição de novas publicações semelhantes e indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos (que, se concedidos, deverão ser destinados a um fundo público de reparação de direitos coletivos). Ao MPF, solicita a apuração das possíveis responsabilidades cíveis e criminais.
Segundo a entidade, Pavanato usa a peruca para representar de forma caricata uma mulher trans, “reforçando estereótipos e transformando nossa existência em motivo de deboche para conquistar engajamento e votos. […] A chamada transfobia recreativa transforma a discriminação em piada, mas o humor não pode servir de justificativa para a reprodução do preconceito”, declarrou.
De acordo com afirmou Bruna Benevides, presidenta da Antra: “Não podemos permitir que quem capitaliza em cima do ódio e da transfobia continue obtendo lucro, visibilidade e ganhos políticos às custas da nossa existência. A liberdade de expressão não pode servir de escudo para práticas que reforçam a desumanização de uma população historicamente marginalizada”.
A reportagem entrou em contato com o deputado eleito e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
Ainda neste mês, o deputado foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 2ª instância ao pagamento de R$ 20 mil em danos morais a uma mulher que teve sua imagem utilizada em um vídeo publicado nas redes sociais do parlamentar em 2025. Ainda cabe recurso.
A decisão também foi com relação a um vídeo, desta vez feito na Avenida Paulista, centro da capital paulista, quando Pavanato abordou uma mulher e fez a ela perguntas sobre política. Algumas das imagens foram editadas e publicadas nas redes sociais com o título “Como travar uma feminista”.
Por Lorena Pacheco
Fonte: metropoles.com
