As cédulas teriam sido encontradas na casa de uma tia em 2023. Segundo o advogado de Maria Corsato, a delegada e a irmã estavam “pensando como iam fazer para regularizar o dinheiro”, mas “não houve tempo” para declarar a quantia porque a irmã agiu durante um “surto”.
Dinheiro em puff de delegada
• A irmã da delegada Maria Corsato acionou a Polícia Militar (PM) após supostamente ter encontrado notas de dinheiro dentro de um puff que foi entregue pela oficial.
• O caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.
• Segundo o relato, a irmã recebeu da delegada um puff no dia 30 de setembro, quatro dias antes do primeiro turno das eleições — Maria Corsato foi candidata a deputada estadual pelo União, mas acabou não sendo eleita.
• Ao entregar o móvel, Maria Corsato disse que estaria “sendo procurada devido a uma suposta ordem de busca e apreensão”, conforme o boletim de ocorrência.
• Nesse sábado (24/10), a irmã decidiu abrir o móvel com uma faca, quando teria encontrado, dentro do puff, notas de dinheiro e papéis com anotações. Ela, então, decidiu ligar para a polícia, que foi até o endereço e apreendeu os objetos.
• O boletim também indica que a equipe policial tentou localizar a delegada na residência dela, mas o porteiro do prédio informou que ela não estava.
• Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria-Geral da Polícia Civil instaurou procedimentos para investigar a origem dos valores apreendidos e apurar eventual responsabilidade criminal e administrativa da delegada. A Polícia Militar foi acionada pela proprietária do imóvel, irmã da delegada, após encontrar o dinheiro no interior de um móvel.
• “Os valores e as anotações encontrados foram apreendidos, e o dinheiro será encaminhado para depósito judicial. A apuração inclui a oitiva da denunciante e a realização das perícias cabíveis. Até o registro da ocorrência, a delegada não havia sido localizada para prestar esclarecimentos”, informou a SSP.
• O caso foi registrado como lavagem de dinheiro, irregularidades funcionais e apreensão de bens.
Nas redes sociais, Maria Corsato afirmou que a denúncia da irmã foi motivada por um desentendimento entre ambas. “O episódio ocorreu alguns dias após ela ter ido ao local de trabalho do meu cunhado e provocado um escândalo. Como fiquei ao lado dele, ela se desentendeu comigo”, escreveu.
A delegada também citou outro caso, de 2008. Na ocasião, a Corsato teria avisado que chegaria mais tarde do trabalho e, em reação, a irmã teria registrado um boletim de ocorrência na Corregedoria, alegando abandono.
“Infelizmente, não é a primeira vez que ela age dessa maneira comigo quando está emocionalmente abalada ou é contrariada”, disse ao alegar que a irmã enfrenta problemas de alcoolismo e fragilidade emocional.
“Quanto aos fatos recentes, meus advogados já estão adotando as providências necessárias para prestar todos os esclarecimentos à Corregedoria, inclusive sobre a origem dos valores”, acrescentou.
Ao Metrópoles, o advogado Gerson Mendonça disse que a irmã tinha conhecimento sobre os valores e chamou a polícia “justamente para prejudicar a delegada”. Ele ainda negou que houvesse um mandado de busca e apreensão contra a policial e ressaltou que guardar dinheiro em espécie não é crime.
Dinheiro em espécie não declarado
As autoridades contabilizaram, no total, cerca de R$ 1,8 milhão em espécie, incluindo 120 mil dólares (o equivalente a cerca R$ 595 mil no câmbio dee domingo), e 12 mil euros (pelo menos R$ 59,5 mil no câmbio do dia), além de 15 anotações.
O valor não consta na declaração de bens da delegada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo os documentos apresentados, Maria Corsato tem um apartamento de R$ 600 mil no Guarujá. Também há o registro de quatro imóveis em Santo André avaliados em R$ 700 mil, R$ 500 mil, R$ 300 mil e R$ 200 mil, além de R$ 500 mil aplicados em um banco.
Quem é Maria Corsato
Com mais de 30 anos na polícia, Maria Corsato atua no 27º Distrito Policial (Campo Belo). Ativa nas redes sociais, onde tem mais de 360 mil seguidores, ela diz combater o crime, a narcocultura, as casas de apostas e dá dicas de segurança digital, além de publicar postagens críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e elogios a Flávio Bolsonaro (PL). Derrotada nas eleições deste ano, ficou apenas com a suplência.
A delegada já foi investigada por suposto favorecimento ao empresário Thiago Brennand, preso desde abril de 2023 por uma série de crimes sexuais. Ela era quem conduzia um dos inquéritos contra o empresário. Ela também foi citada em um documento da defesa da influenciadora Deolane Bezerra, que alega possível abuso de autoridade da policial.
Por Rodrigo Tammaro
Fonte: metropoles.com
