Polícia de SP investiga se advogada e filho de 6 anos foram dopados e asfixiados; ex-namorado preso suspeito do crime será interrogado

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Via @portalg1 | A Polícia Civil investiga se a advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e o filho dela, Raphael Faria Lima Ferrari, de 6 anos, foram dopados e depois mortos por asfixia em Cotia, na Grande São Paulo.

A hipótese é considerada a mais provável pelos policiais ouvidos pela equipe de reportagem. Eles aguardam a conclusão dos laudos periciais para confirmar como mãe e filho morreram.

Preso temporariamente sob suspeita de ter cometido o crime, o empresário Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, ex-namorado de Anna Gabriela, passará por audiência de custódia na Justiça, na manhã desta quinta-feira (5). Depois deverá ser interrogado pela polícia à tarde. Ele ainda não confessou o crime; chegou até a negar ter cometido, quando falou com jornalistas na delegacia (saiba mais abaixo).

Polícia suspeita de asfixia

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

A principal linha de investigação é que mãe e filho tenham sido dopados antes de morrer no apartamento onde os dois moravam. A hipótese ganhou força porque os corpos não apresentavam perfurações, mas tinham marcas nos pescoços, compatíveis com esganadura, segundo policiais.

Os exames periciais da Polícia Técnico-Científica ainda estão sendo concluídos e deverão esclarecer a dinâmica do crime e a causa das mortes.

Os corpos foram encontrados na noite de terça-feira (3) no apartamento, no bairro Lajeado, em Cotia. Mãe e filho estavam lado a lado sobre uma cama de casal.

Câmeras reforçam suspeita sobre ex-namorado

O carro de Anna Gabriela estava estacionado em frente ao imóvel onde os corpos foram encontrados, na Estrada Manoel Lages do Chão.

Segundo a polícia, imagens de câmeras de segurança mostraram Anna Gabriela, o filho e Eric entrando juntos no condomínio na noite de domingo (1º). Horas depois, já durante a madrugada de segunda-feira (2), o empresário aparece deixando o local sozinho.

De acordo com a investigação, não há registro da entrada ou saída de outras pessoas no apartamento ou no bloco residencial durante o período em que as mortes teriam ocorrido.

A descoberta dos corpos ocorreu após uma advogada procurar a delegacia e relatar uma informação recebida por um escritório de advocacia do interior paulista. Segundo a polícia, o próprio Eric teria telefonado informando que havia dois corpos em um imóvel de Cotia e fornecido o endereço.

Empresário foi preso

Foto: Arquivo Pessoal

O empresário foi localizado e preso na quarta-feira (4) em um uma casa no Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo. A Justiça decretou a prisão temporária dele no curso das investigações a pedido da polícia.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Mônica Gamboa, Eric não confessou o crime nem demonstrou arrependimento. Ainda de acordo com a polícia, ele é o principal suspeito das mortes. Ao ser preso, teria afirmado apenas que queria ser morto pelos policiais.

"Ele não declara arrependimento, isso me chamou a atenção porque em nenhum momento ele fala em arrependimento. Ele fala em se matar. Ele pediu para que a equipe, o grupo operacional, o GOE [Grupo de Operações Especiais] atirasse nele. E ele disse que ele quer tirar a própria vida. Mas em momento algum ele usou a palavra arrependimento", disse Mônica à imprensa.

Ao chegar na delegacia, Eric falou para jornalistas que o aguardavam que não havia cometido o crime. "Era a mulher da minha vida. Me mata, por favor. Eu não matei ela. Eu prefiro morrer. Me mata! Me mata!"

Feminicídio e vicaricídio

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Familiares relataram que Anna Gabriela estava desaparecida desde domingo (1º). A mãe da advogada chegou a registrar um boletim de ocorrência após perder contato com a filha.

Conforme a investigação, Anna havia saído de casa dizendo que iria jantar, mas parentes descobriram depois que o compromisso mencionado por ela não existia. Policiais descobriram que Eric ligou 38 vezes para a mãe dele após o crime.

O caso é investigado como feminicídio e vicaricídio, termo utilizado quando filhos ou pessoas próximas são mortos para atingir emocionalmente uma mulher.

Testemunhas relatam ameaças

Foto: Arquivo Pessoal

Depoimentos reunidos pela polícia apontam que o relacionamento entre Anna Gabriela e Eric era marcado por conflitos, términos e reconciliações. Testemunhas também relataram episódios anteriores de ameaças, violência doméstica, perseguições e comportamento controlador por parte do investigado.

Investigadores também apuram relatos de agressividade anteriores atribuídos ao suspeito. Ex-colegas afirmaram que ele já havia se envolvido em episódios de violência desde a adolescência.

Anna Gabriela era advogada, filha do ex-vereador Paulo Roberto Faria Lima e integrante de uma família tradicional da política paulista. Os corpos dela e do filho serão velados e enterrados nesta quinta no Cemitério Parque do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo.

A reportagem tenta localizar a defesa de Eric.

Por João Netto, Kleber Tomaz, Marília Barbosa, TV Globo e g1 SP — São Paulo
Fonte: g1

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