Em nota, o colégio afirmou que a encenação trouxe "fatos históricos apresentados por alunos durante atividade pedagógica realizada no Dia da Consciência Negra". "A instituição lamenta profundamente qualquer entendimento que tenha sido diferente dos valores que defende".
A encenação foi criticada por pessoas como a educadora Bárbara Carine, que é professora da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e fundadora da escola afro-brasileira Maria Felipa, em Salvador. "O pessoal decidiu reproduzir a dor, a violência, o antagonismo branco na escola. Não faz sentido", diz.
Ela ainda questionou o fato de a encenação colocar uma menina branca para representar a princesa Isabel assinando a Lei Áurea.
"Se era para representar a memória do povo negro, a gente poderia pensar a memória do povo negro com Luiz Gama, com Luiza Maia, com Maria Filipa, com o Dragão do Mar. Poderia pensar a memória do povo negro com tantos ícones que lutaram na luta quilombista, abolicionista." — Bárbara Carine, professora da UFBA
'Trechos isolados'
A escola alegou que os vídeos que circularam nas redes sociais "consistem em trechos isolados da atividade pedagógica".
"Estão, portanto, desconectados de seu contexto completo, o que compromete a compreensão integral do conteúdo trabalhado. A circulação de recortes descontextualizados pode gerar interpretações equivocadas e contribui para a disseminação de informações imprecisas." — Colégio Adventista de Alagoinhas (BA), em nota
Ainda na nota, o colégio "repudia qualquer forma de racismo e mantém, como valor inegociável, o compromisso com a dignidade humana, o respeito às diferenças, a igualdade e a justiça".
"Toda prática pedagógica é avaliada com seriedade, especialmente quando envolve questões sensíveis como relações étnico-raciais. O objetivo é refletir fielmente os valores institucionais que orientam o colégio", afirma.
"O Colégio Adventista de Alagoinhas, por meio de sua proposta pedagógica e dos documentos norteadores, promove o fortalecimento da consciência histórica; a valorização do povo negro; a rejeição clara de toda forma de discriminação, e uma formação cidadã ética, responsável e antirracista." — Colégio Adventista em nota
Por Carlos Madeiro
Fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2025/11/27/ba-colegio-encena-aluno-negro-chicoteado-por-colega-branco-e-gera-critica.htm
