Vídeos que circulam nas redes sociais mostram duas ocasiões em que um dos estudantes se aproxima da vítima, que caminhava de costas, e aplica descargas elétricas em pelo menos duas ocasiões.
Os universitários, ambos do curso de direito, foram identificados pela polícia como Altemar Sarmento Filho, apontado como o agressor que aparece nos vídeos, e o que filmava, Antonio Coelho. Ambos foram afastados, segundo a instituição de ensino. O g1 ainda não conseguiu localizar a defesa dos dois.
Nas imagens, é possível ver os dois alunos participando da ação e rindo durante a agressão. O caso causou revolta nas redes sociais e provocou reações do MPF e de deputada estadual na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), cobrando providências.
Estudantes de outra universidade particular de Belém afirmaram que as agressões teriam ocorrido durante uma dinâmica de “verdade ou desafio". Há ainda relatos de que o mesmo tipo de prática já teria acontecido outras vezes, envolvendo diferentes pessoas em situação de rua.
Segundo testemunhas, entregadores de aplicativo que passavam pelo local presenciaram a agressão, e tentaram alcançar os suspeitos. Os estudantes correram para dentro do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), enquanto os trabalhadores foram atrás, mas não conseguiram entrar após serem impedidos por seguranças na portaria de forma hostil.
Em nota, o Cesupa lamentou o ocorrido e informou que adotou imediatamente medidas de colaboração com as autoridades policiais para a apuração dos fatos.
Segundo a instituição, os estudantes envolvidos foram afastados de suas atividades acadêmicas e a abertura de um procedimento administrativo interno. O coordenador do curso de Direito acompanhou pessoalmente as providências na delegacia.
De acordo com a instituição, o Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta serão aplicados para a definição das punições cabíveis.
Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre o estado de saúde da vítima.
Por meio de nota, a Polícia Civil informou que o suspeito identificado como Altemir Sacramento Oliveira Filho foi apresentado pela Polícia Militar para prestar depoimento na Seccional de São Brás. Um boletim de ocorrência foi registrado e o caso será investigado.
MPF abre apuração e pede investigação criminal
O Ministério Público Federal (MPF) abriu, nesta segunda-feira (13), uma apuração para investigar a denúncia do ataque. A medida foi adotada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no Pará, após a circulação dos vídeos das da agressões.
O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Sadi Machado, determinou o envio de um pedido de informações à universidade para onde o suspeito teria retornado após o ataque, com prazo de 48 horas para resposta.
Além disso, o MPF informou que fará uma representação criminal ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que deverá apurar o caso na esfera penal.
Reação na Alepa
Na Alepa, a deputada Lívia Duarte (Psol) enviou ofícios ao MPPA cobrando providências da reitoria do Cesupa e também pediu abertura de inquérito criminal. A deputada classificou a agressão praticada como lesão corporal ou tortura, humilhação e aporofobia (preconceito contra pobres).
“Segundo os relatos, o ato de violência gratuita teria sido perpetrado como parte de um jogo denominado ‘verdade ou desafio’, evidenciando um completo desprezo pela dignidade humana e pela integridade física de um cidadão em estado de extrema vulnerabilidade”, argumentou.
Nos pedidos, a deputada também pediu que o MPPA solicite imagens do sistema de vigilância do Cesupa e colha o depoimento da direção do Cesupa para obter a identificação dos alunos envolvidos.
Por g1 Pará — Belém
Fonte: g1
