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Desembargador fez piada sobre racismo minutos antes de julgar ex-juiz negro. Vídeo

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Via @metropoles | Um dos desembargadores que participou do julgamento que resultou na demissão do ex-juiz Robson José dos Santos, no Tribunal de Justiça de Rondônia, fez uma piada sobre racismo minutos antes da análise do caso.

Os magistrados decidiram, de forma unânime, em sessão de 16 de dezembro de 2024, pela instauração de um processo administrativo contra Robson para apurar as acusações de má conduta.

Na ocasião, Marcos Alaor Grangeia brincou com o relator da ação, o desembargador Gilberto Barbosa, sobre uma situação envolvendo o uso de tecnologia.

Um registro da sessão mostra um momento de descontração entre os integrantes da Corte.

Na gravação, Marcos Alaor comenta o registro dos votos em outro caso e usa o termo “analógico”.

“Seu analógico não saiu aqui. Agora votou o desembargador José Jorge, Álvaro, Gilberto Barbosa, Paulo Kiyochi Mori e Rowilson Teixeira.”

Na sequência, o relator o questiona, e Alaor responde: “Não, analógico eu. Você tem predisposição. É pior. Daqui a pouco você vai falar que é racismo”.

Relembre o caso

O episódio envolvendo o ex-juiz Robson José dos Santos veio à tona em fevereiro deste ano, quando ele deixou oficialmente a Corte.

O caso havia começado a ser julgado em 2024, no fim de seu estágio probatório, período em que o servidor público ainda não havia adquirido estabilidade.

Ao final do julgamento, foi negada a vitaliciedade no cargo e determinada sua demissão do TJ-RO. O motivo foram acusações de que ele teria humilhado colegas e adotado práticas inadequadas com presos.

A defesa sustentou que Robson foi alvo de racismo estrutural e recebeu tratamento desproporcional e incompatível com o dado a outros juízes e desembargadores do mesmo tribunal.

Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Mirelle Pinheiro, os advogados de Robson acionaram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pedindo a abertura de investigação disciplinar contra os desembargadores que participaram do julgamento que levou à sua exclusão da carreira.

História de superação

Robson ficou nacionalmente conhecido por sua história de superação. Nascido na periferia de Recife, trabalhou como vendedor de pipoca e picolé para ajudar a família.

Antes de chegar à magistratura, também atuou como gari e conciliava o trabalho com os estudos à noite, após prestar mais de 70 concursos.

O que diz o tribunal

À coluna, o TJRO disse que o diálogo ocorreu durante votação eletrônica de um processo, “sem qualquer relação com o feito envolvendo o então magistrado Robson José dos Santos”. Segundo a Corte, a “conversa tratava estritamente da aptidão e adaptação ao uso de novas tecnologias”.

Veja a nota na íntegra:

O Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJRO) esclarece que o diálogo ocorreu durante votação eletrônica de um processo, sem qualquer relação com o feito envolvendo o então magistrado Robson José dos Santos. A conversa tratava estritamente da aptidão e adaptação ao uso de novas tecnologias.

Na ocasião, o desembargador Marcos Alaor referiu-se a si próprio como “analógico”. O desembargador Gilberto Barbosa interpretou momentaneamente que a fala seria direcionada a ele, dada a brincadeira amistosa que ambos mantêm sobre eventuais dificuldades na operação do sistema eletrônico.

Para afastar definitivamente qualquer interpretação equivocada, o desembargador Gilberto Barbosa manifestou-se formalmente sobre o episódio:

“Somos mais que colegas; somos amigos, e há uma brincadeira saudável e respeitosa do Marcos para comigo em razão da minha pouca intimidade com questões voltadas à tecnologia digital. Ele sempre brinca comigo, tentando me estimular a desenvolver essa habilidade, me denominando ‘analógico’. Marcos é um ser humano sensível, culto e extremamente ético. Longe de haver qualquer cunho pejorativo ou racista no episódio.”

O Tribunal de Justiça de Rondônia repudia a tentativa de distorcer diálogos institucionais para criar falsas narrativas de cunho discriminatório ou pejorativo. O histórico do desembargador Marcos Alaor atesta seu compromisso irretocável com a ética e o respeito à dignidade humana.

A Instituição reitera seu compromisso com a transparência e a publicidade de seus atos. Todas as sessões de julgamento de 2º Grau são transmitidas ao vivo e permanecem acessíveis ao público. Essa abertura permite que a sociedade e a imprensa verifiquem a lisura dos trabalhos e a veracidade dos fatos, combatendo a desinformação.

Marcos Alaor tomou posse como juiz em Rondônia em 1990. Entre 2022 e 2023, presidiu o TJ-RO. Antes disso, foi vice-presidente da Corte e também presidiu o Tribunal Regional Eleitoral.

Por Milena Teixeira e Camila Xavier
Fonte: metropoles.com

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