Segundo a polícia, o homem já foi intimado para prestar depoimento na 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá, responsável pela investigação das ameaças, mas ainda não compareceu à unidade policial. O caso tramita paralelamente ao inquérito conduzido pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), que apura as mensagens atribuídas a estudantes da UFMT sobre violência sexual contra colegas.
“O autor registrou boletim de ocorrência no qual relata que o filho estava sendo ameaçado por outros estudantes, motivo pelo qual teria ido à UFMT. As investigações estão em andamento.”
De acordo com a universidade, câmeras de segurança registraram, na manhã do dia 13 de maio, o momento em que um homem abordou um estudante em tom ameaçador dentro do campus. De acordo com relatos feitos à UFMT, ele afirmou que “se o filho dele não se formasse, os demais também não se formariam”.
O homem foi identificado como pai de um dos estudantes envolvidos no caso conhecido como “lista de estupráveis”, denunciado no início de maio na Faculdade de Direito da universidade.
Após a abordagem, estudantes procuraram a direção da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET), que acionou a Reitoria da UFMT. Os alunos, acompanhados por um advogado, registraram boletim de ocorrência e formalizaram representação criminal junto à Polícia Civil.
Imagens das câmeras de segurança da UFMT que circulam nas redes mostram o suspeito andando pelos corredores usando boné preto, mochila e um objeto preso à cintura semelhante a uma pasta.
O colegiado do curso de Engenharia Civil decidiu transferir para o formato remoto as aulas teóricas das turmas do primeiro semestre entre os dias 14 e 18 de maio. As atividades práticas foram suspensas temporariamente.
A universidade também instaurou uma Comissão de Inquérito Disciplinar Discente para apurar os fatos tanto na FAET quanto na Faculdade de Direito. Segundo a instituição, todas as partes envolvidas serão ouvidas, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
Relembre o caso
O caso ganhou repercussão após o vazamento de mensagens atribuídas a estudantes da UFMT que faziam referência a violência sexual contra colegas. Em um dos trechos obtidos pela coluna e divulgado no dia 8 de maio, um dos envolvidos afirma: “Vou brocar uma na primeira semana”. Em outra mensagem, um estudante diz: “Vou molestar”, ao comentar sobre colegas do curso.
Os alunos também teriam combinado a criação de um “ranking de alunas mais estupráveis dos cursos”.
A divulgação das mensagens provocou protestos de estudantes no campus da universidade e levou a UFMT a instaurar um processo administrativo disciplinar (PAD) para investigar os envolvidos.
Em nota, a universidade repudiou o episódio e afirmou que “qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos” será apurada e combatida dentro da instituição.
O Centro Acadêmico VIII de Abril, representante dos estudantes de Direito, também condenou as mensagens e classificou o caso como incompatível com os princípios da formação jurídica.
Por Mirelle Pinheiro e Giovanna Sfalsin
Fonte: metropoles.com
