A denúncia foi recebida pela Justiça em 10 de junho, dando início à ação penal. “Em razão do sigilo do processo, essas são as únicas informações que podemos lhe repassar”, informou por meio de nota.
Liberdade negada
No início da semana passada, a Justiça negou um pedido de liberdade apresentado pela defesa do argentino Eduardo Ignacio Murias. A decisão do desembargador Octavio Augusto de Nigris Boccalini, que rejeitou o pedido liminar para revogar a prisão preventiva ou substituí-la por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
A defesa alegou que o turista teria sido agredido dentro do presídio e também solicitou a transferência dele para uma unidade considerada mais segura. No entanto, o magistrado entendeu que não havia, naquele momento, elementos que demonstrassem ilegalidade na manutenção da prisão.
Ao manter a detenção, a Justiça destacou que Eduardo teria apagado mensagens e imagens do celular após ser confrontado sobre o conteúdo racista, antes mesmo da chegada da polícia.
Segundo a decisão, a conduta pode indicar tentativa de dificultar as investigações, além de ter pesado o fato de o suspeito admitir o envio das mensagens, que classificou como uma “brincadeira”.
Relembre o caso
O caso ocorreu em 24 de maio durante um passeio turístico de Maria Fumaça. Passageiros perceberam que o argentino fotografava e filmava uma criança negra de 7 anos e enviava as imagens por aplicativo de mensagens acompanhadas de comentários racistas. Em uma das conversas, ele sugeria levar “escravos” do Brasil para a Argentina.
A situação foi denunciada por uma passageira que alertou a mãe do menino. Com a ajuda de outras pessoas que estavam no trem, as mensagens foram registradas e entregues às autoridades. O argentino foi detido quando a composição chegou a Tiradentes e acabou preso em flagrante.
À época, a mãe da criança relatou que o filho compreendeu o ocorrido e ficou “quieto, cabisbaixo e triste” após o episódio. Ela também afirmou que o suspeito insistia que tudo não passava de uma brincadeira e cobrou que o caso fosse investigado até o fim.
A reportagem tenta localizar a defesa de Eduardo Ignacio. O espaço está aberto caso queira se manifestar.
Por Larissa Ricci, Thayná Schuquel
Fonte: metropoles.com
