De acordo com a investigação, o homem morava no imóvel onde a ponte estava instalada e teria entendido, de forma equivocada, que a estrutura fazia parte da propriedade. A partir desse entendimento, ele teria negociado a venda do equipamento.
A ponte foi levada para a zona rural de Lima Duarte, onde foi localizada pela polícia no dia 10 de junho, um dia após o registro da ocorrência. Segundo a polícia, imagens de câmeras de rodovias ajudaram os investigadores a rastrear o trajeto da estrutura. Até o momento, o g1 não teve acesso a esse material.
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| Montagem mostra ponte de aço sobre rio, local sem a estrutura após furto, e ponte sendo carregada em caminhão — Foto: Divulgação/Prefeitura de Prados |
A negociação teria sido intermediada por um vendedor de antiguidades. Segundo o delegado, há indícios de que mais de uma pessoa possa ter participado da ação.
Documentos apresentados à polícia indicam que a venda ocorreu com emissão de notas fiscais, uma no valor de R$ 700 mil e outra de R$ 30 mil, além de autorização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o transporte da estrutura no dia 1º de junho (veja imagem abaixo).
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| Documentos apresentados à polícia indicam que a venda ocorreu com emissão de notas fiscais — Foto: Arquivo |
Ainda, segundo a polícia, o Ibiti Projeto, empreendimento turístico onde a ponte foi encontrada, afirmou em depoimento que não sabia de qualquer irregularidade na transação (veja nota abaixo). Informou que o grupo encontrou a estrutura por meio do intermediador.
“Inicialmente, o que sabemos é que ele vendeu uma ponte que não era dele, e isso, em tese, pode configurar crime”, explicou o delegado.
Outro ponto que ainda está em análise é a titularidade da ponte. Segundo o delegado, há dúvida se o bem já foi incorporado ao patrimônio do município de Prados ou se ainda pertence à União, já que a estrutura era da antiga Rede Ferroviária Federal.
O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Prados para confirmar se o bem já foi incorporado ao patrimônio do município, mas ainda não havia recebido retorno até a última atualização desta reportagem.
A investigação segue em andamento para esclarecer a origem da ponte, a legalidade da venda e a eventual participação de outros envolvidos.
Entenda o caso
Uma ponte metálica construída na Inglaterra no século XIX, incorporada ao patrimônio de Prados, na Região Central de Minas Gerais, desapareceu de uma área rural do município e foi encontrada cerca de 180 quilômetros distante, em um espaço de preservação ambiental na região de Ibitipoca, na Zona da Mata.
O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de Minas Gerais. Segundo a Polícia Civil, o empreendimento onde a estrutura foi localizada apresentou nota fiscal que comprova a compra da ponte por R$ 700 mil. O Ibiti Projeto afirma que adquiriu o bem legalmente de um comerciante do ramo de antiguidades (veja nota abaixo).
Inquérito do Ministério Público
A Promotoria de Justiça de Prados, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), também determinou a instauração de inquérito civil público para apurar os fatos, incluindo os danos causados ao patrimônio cultural do município.
Os envolvidos podem responder por receptação, com pena de dois a seis anos de reclusão, e crime contra o patrimônio cultural.
O que diz o Ibiti Projeto
"O Ibiti Projeto esclarece que a ponte metálica recentemente transportada foi adquirida de forma regular junto a comerciante do ramo de antiguidades, mediante emissão de nota fiscal e demais documentos pertinentes.
Toda a operação de transporte ocorreu com as autorizações exigidas pelos órgãos competentes, observadas as exigências legais aplicáveis.
Ao tomar conhecimento dos questionamentos relacionados à origem da estrutura, o Ibiti Projeto foi igualmente surpreendido pelos fatos e imediatamente procurou as autoridades competentes, apresentando toda a documentação disponível, indicando a localização do bem e colaborando integralmente com as apurações.
Reconhecido por seu compromisso com a preservação ambiental, histórica e cultural, o Ibiti Projeto reafirma sua atuação pautada pela boa-fé, transparência e respeito à legalidade, permanecendo à disposição das autoridades para contribuir com o completo esclarecimento dos fatos."
Por g1 Minas — Belo Horizonte
Fonte: g1

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