A acusação foi a primeira a se manifestar. Segundo o promotor Fábio Vieira, o ex-vereador Jairinho aproveitava a influência política e econômica do cargo para intimidar as pessoas.
Ele ainda apontou que o padrasto do menino, morto aos 4 anos, tem traços de “psicopatia severa”. “Estamos falando de um camarada influente, que tinha força política e econômica no cenário carioca. Tudo precisa ser entendido dentro desse contexto”, afirmou.
Jairinho e Monique foram presos e respondem por tortura, homicídio triplamente qualificado, além de fraude processual, coação no curso do processo e falsidade ideológica. O caso aguarda para ser julgado pela Justiça
O promotor ainda acusou Jairinho de ser agressor contumaz: “Agride mulheres e também agride crianças. Maltrata crianças. Tem prazer em machucar os vulneráveis”.
Vieira também afirmou que a mãe de Henry, a professora Monique Medeiros, é “narcisista, com traços de megalomania”. “Ela fala que o Henry não podia ter uma mãe melhor que ela”, defendeu.
Entenda os termos
O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) tratam a psicopatia clinicamente como Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS). Ela não é classificada como doença mental passível de cura, mas como um desvio de comportamento.
As características principais são engodo, manipulação, charme superficial e habilidade de persuadir, ausência de empatia, frieza emocional, ausência de remorso, impulsividade e dificuldade em controlar comportamentos de risco.
Uma pessoa narcisista apresenta um padrão de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia, superestima suas habilidades e explora os outros em benefício próprio.
Já a megalomania é semelhante, trata-se de uma condição psicológica e comportamental, com delírios de grandeza, poder, onipotência e autoestima desproporcional.
Relembre
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, na casa da família, em Jacarepaguá, no Rio. O ex-vereador e médico Dr. Jairinho, padrasto do menino, e Monique Medeiros, a mãe, levaram a criança ao hospital, alegando que o menino havia sofrido um acidente doméstico e caído da cama.
Laudo do Instituto Médico-Legal (IML) descartou a hipótese, pois Henry apresentava mais de 20 lesões de natureza violenta, incluindo laceração no fígado, lesões nos rins e hemorragia interna, indicando espancamento e morte lenta e agônica.
Agora, o casal responsável pelo filho responde por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.
Por Lorena Pacheco
Fonte: metropoles.com
