A suspeita de tê-la envenenado é Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, que era uma das alunas da ação em que Denny atuava. A mulher acompanhava um filho no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife, onde funcionava o projeto social. Ela foi filmada colocando uma substância na garrafa da vítima (entenda mais abaixo).
O caso é investigado pela Polícia Civil, e há mais de um ano o inquérito está aberto, sob responsabilidade da Delegacia da Boa Vista, no Centro do Recife.
Além disso, desde janeiro, Denny Cardoso aguardava por uma consulta com um neurocirurgião via Sistema Único de Saúde (SUS), para tratar as sequelas deixadas pela intoxicação e para conseguir um laudo comprovando danos neurológicos causados pelo mercúrio.
Após a publicação da primeira reportagem sobre o caso, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) agendou o atendimento com neurocirurgião. Denny foi informada do agendamento às 11h42 desta segunda-feira (13) e, pouco depois do meio-dia, a pasta respondeu ao g1 que "a paciente já foi informada sobre a data, o horário e o local da consulta".
O g1 tentou, mas não conseguiu localizar a defesa de Maria Aparecida Rodrigues de Araújo.
Sintomas
Denny contou que, no segundo semestre de 2024, começou a sentir os sintomas de intoxicação. Conforme o Ministério da Saúde, o mercúrio metálico, que foi o ingerido por ela, pode causar sintomas como os seguintes:
• Transtornos psíquicos e comportamentais;
• Neuropatias (danos a sistema nervoso);
• Lesões cutâneas;
• Danos aos sistemas nervoso, gastrointestinal, respiratório, ocular e renal.
Segundo Denny, ela sofria de fibromialgia, e, por um tempo, chegou a confundir os sintomas com os da doença anterior. Entretanto, as características eram diferentes, mais intensas e debilitantes que o que ela costumava sentir anteriormente.
Ela disse que sentia, frequentemente, dores abdominais, músculos enrijecidos e dificuldade para andar e urinar. No dia em que denunciou o caso à polícia, em junho de 2025, ela relatou à Polícia Civil que também sentia tontura, visão ofuscada e queda de cabelo.
A artesã contou que até hoje sente dores no abdômen, tem movimentos reduzidos, uma compressão na medula e uma neuropatia. Ela anda com dificuldade, com auxílio de muletas, e faz uma série de tratamentos médicos e fisioterapia.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que o limite de ingestão de mercúrio é de, no máximo, 0,23 micrograma por peso corporal/dia, para mulheres e crianças, e 0,45 para homens adultos.
Segundo Denny Cardoso, um exame toxicológico feito durante as investigações confirmou uma concentração de 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue no corpo da vítima.
Conforme os especialistas, a ingestão de mercúrio afeta diretamente o sistema nervoso central. A substância também pode prejudicar a audição, coordenação motore e a cognição, além de causar o desenvolvimento de problemas como depressão e insônia.
Segundo os especialistas, essas lesões no cérebro causadas pela contaminação são irreversíveis.
O excesso desse composto no corpo também pode gerar problemas cardíacos e é extremamente perigoso para gestantes, já que além de ela mesma ser contaminada, o feto também é atingido.
O caso
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| Mulher flagrada manipulando garrafa d'água no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp |
Denny suspeitou que havia algo errado com a água que ela tomava depois de sentir que havia "bolinhas" no líquido. Ela contou que chegou a pôr o dedo na garganta e retirar parte da substância, que ela guardou e entregou às autoridades.
Antes disso, a artesã conta que já havia desconfiado do comportamento da aluna, quando um dia flagrou a mulher mexendo na garrafa. "Ela disfarçou, como se estivesse tirando a garrafa de um lugar para outro", disse ao g1.
Depois de ter descoberto as "bolinhas" na água, a artesã decidiu filmar a aluna. Ela passou a deixar o celular com a câmera ligada quando saia da sala. Em duas ocasiões, flagrou a aluna colocando algo na garrafa.
Na segunda, chamou a Polícia Militar (PM), que levou as duas mulheres à Delegacia da Boa Vista.O boletim de ocorrência registrado no local mostra que a suspeita negou que tivesse envenenado a bebida, mas os policiais encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa dela, e que a muher tentou tirar o objeto das mãos dos agentes.
O que diz a polícia
O caso é investigado pela Delegacia da Boa Vista desde junho de 2025. Segundo a vítima e seu advogado, todos os laudos periciais já foram concluídos, mas o inquérito ainda não foi finalizado.
Procurada pelo g1, a Polícia Civil não respondeu o porquê da demora na conclusão do inquérito, nem por qual crime Maria Aparecida Rodrigues de Araújo é investigada.
A corporação informou apenas que o caso segue sob investigação e que não pode divulgar mais detalhes para não comprometer as diligências.
Por g1 Pernambuco
Fonte: g1

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