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Redação nota 1.000: confira 10 excelentes dicas para tirar boa nota na prova

goo.gl/JKKSPS | A redação é uma das provas mais temidas do Enem. Mas não há motivo para pânico se você se preparar. Para ajudar, o CORREIO traz dicas de como escrever bem a redação e ainda traz sugestões de temas para o candidato treinar para o exame.

“Todo mundo tem medo, mas quanto mais você pratica, melhor”, conta Yasmin Doria Kuroki, 18 anos. A estudante do 3º ano do Colégio Portinari tentará vaga para Medicina. Para se preparar, ela faz pelo menos uma redação por semana desde o início do ano “Estudo no colégio e faço curso de redação toda sexta à tarde”, conta.

Um dos 77 candidatos que tiraram nota 1.000 na redação do Enem 2016 em todo o Brasil foi a baiana Marcela Araújo, 21, que hoje estuda Medicina. Ela ressalta a importância de entender bem o tema da redação: “Acho que uma coisa que você precisa é ler muito e saber interpretar o que a questão pede”.

Marcela lembra que fazia muitas redações para treinar e conta o que pode ter sido seu diferencial: “Eu via filmes que me ajudaram bastante, sobretudo para fazer relações do imaginário com situações cotidianas”.

Esse treinamento é fundamental para um bom desempenho na prova, como explica a professora Regina Luz, do Curso Luz de Redação.
Para aprender as técnicas, é preciso exercitar. É o exercício que vai fazer com que o aluno  desenvolva sua habilidade plenamente. Redação não é fruto de inspiração”, diz a educadora.
A estudante Yasmin conta que o curso de redação a ajudou a perder o medo da prova. “É o que vale mais pontos no Enem, então, tem que ser prioridade para todo mundo. Eu tinha um pouco de dificuldade, mas se dedicar a isso é importante.”

O estudante de Administração da Ufba João Paulo Dâmaso, 18, tirou nota 920 no Enem 2016 e credita seu sucesso a muito treinamento e leitura. “Aprendi muitas técnicas na escola que me ajudaram bastante, mas eu sempre gostei de escrever e sempre lia muitos sites de notícias para ficar atualizado”, conta ele, que escrevia uma ou duas redações por semana para se preparar.

“Ler é bom para desenvolver a argumentação, mas se você não escreve, no mínimo, uma redação por semana, você não desenvolve. A leitura sozinha não dá conta”, alerta a professora Regina Luz.



Yasmin Kuroki, 18, e Dan Machado, 17, fazem da leitura estratégia para se dar bem na escrita (Foto: Marina Silva/CORREIO)

O estudante Dan Perdiz Fucs Machado, 17, também do Portinari, teve uma surpresa no Enem 2016: tirou 960 pontos na redação e ainda estava no 2º ano colegial. “Sabia que a redação tinha sido boa, mas não esperava tanto”, lembra. Ele conta que sempre procura pesquisar sobre filósofos e se manter atualizado com notícias.

Vale ressaltar que é importante que os candidatos foquem em acontecimentos do segundo semestre de 2016 até o final do primeiro semestre de 2017, já que a prova do Enem é elaborada no primeiro semestre do ano. “Um erro muito comum é o aluno achar que o tema aconteceu um mês antes da prova, mas ela foi confeccionada no máximo em junho”, explica Vinicius Beltrão, consultor pedagógico do SAS Plataforma de Educação.

Este ano, a redação será aplicada em 5 de novembro, junto com Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas.

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Critérios de correção

A redação solicitada pelo Enem é um texto dissertativo-argumentativo, de 8 até 30 linhas, proposto a partir de uma situação política, social ou cultural e que deve ser redigido em português, segundo as normas cultas da língua.

Ela é avaliada por pelo menos dois avaliadores - um não conhece a nota atribuída pelo outro. Os dois atribuem nota de 0 a 200 para cada uma das cinco competências exigidas do participante e que são: (1) domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; (2) compreensão da proposta de redação e aplicação de conceitos de várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema; (3) seleção, relação, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; (4) mecanismos linguísticos utilizados para a construção da argumentação; e (5) proposta de intervenção elaborada para o problema abordado, que deve respeitar os direitos humanos.

Fugir do tema proposto, desrespeitar os direitos humanos, entregar a Folha de Redação sem nada escrito, usar parte de texto desconectada do tema proposto, escrever só sete linhas - qualquer que seja o conteúdo - usar impropérios e desenhos e fazer uma estrutura de texto diferente do tipo dissertativo-argumentativo, como poema ou texto exclusivamente narrativo, são erros que zeram a redação.

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Inep divulga cartilha com oito textos exemplares

O Inep divulgou, na segunda-feira (16), a Cartilha do Participante, com as diretrizes para a escrita do texto dissertativo. Clique aqui para acessar.

A cartilha detalha os critérios de avaliação dos textos e também traz algumas orientações para a dissertação, além de oito redações que tiraram nota máxima no Enem 2016 comentadas por avaliadores. De acordo com o Inep, a ideia é “apresentar exemplos positivos que contemplaram todos os critérios máximos de correção pelos diferentes corretores”.

Algumas dicas são dadas: o título é opcional; o Enem exige que o texto seja dissertativo-argumentativo, no qual o participante deve defender uma tese; a redação consiste em uma opinião a respeito do tema proposto, defendida com “argumentos consistentes, estruturados com coerência e coesão, formando uma unidade textual”.

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Confira as 10 dicas do CORREIO e SAS Plataforma de Educação para tirar uma boa nota na redação

1 - Revisitar temas de redação de anos anteriores

Os temas da redação do Enem são cíclicos, de acordo Vinicius Beltrão, consultor pedagógico do SAS Plataforma de Educação, por isso revisitar as propostas de redação do Enem em anos anteriores é importante “Eu acho que nesse momento a gente vive com mais intolerância do que nunca, pode vir algum tema assim, como a impaciência das pessoas impaciência das pessoas (alta incidência de suicídio por causa do formato da vida moderna).

Nos últimos anos, os temas de redação do Enem foram: ‘Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil’ (2016), ‘A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira’ (2015), ‘Publicidade infantil em questão no Brasil’ (2014), ‘Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil’ (2013) e ‘Movimento imigratório para o Brasil no século 21’ (2012).

2 - Ler sobre direitos humanos

“A prova do Enem é muito fidedigna aos direitos humanos”, conta Ricardo Behrens, professor de atualidade do colégio Antônio Vieira. Segundo o Inep, 4.798 pessoas zeraram a redação do Enem 2016 por não escreverem de acordo com as diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU). O consultor Vinicius Beltrão complementa “No próprio site da ONU há vídeos e instruções indicando o que é recomendado, mostrando o que está acontecendo no mundo e os países que estão ou não obedecendo às diretrizes”. Para saber mais, acesse a página da ONU https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/

3 - Ler notícias sobre acontecimentos de grande impacto

A menos de 30 dias da prova, não dá tempo de colocar em dia toda a leitura atrasada de jornais e revistas. Mas o professor Ricardo Behrens dá uma dica importante para ajudar o candidato a procurar notícias mais relevantes para o exame “É recomendado que se busque material sobre temas recorrentes das provas”, ele sugere.

Vinicius Beltrão Ressalta também que é bom ficar de olho nos temas ambientais “Desde 2008 não aparece a questão ambiental como tema de redação”. Então fique atento às notícias sobre furacões, tornados e as mudanças drásticas no clima causadas pelo homem.

Assistir vídeos de programas televisivos, como minidocumentários ou especiais, também pode auxiliar a elaborar a argumentação, além de deixar o candidato a par das atualidades do Brasil e do mundo. E atenção:  é importante que os candidatos foquem em acontecimentos do segundo semestre de 2016 até o final do primeiro semestre de 2017, já que a prova do Enem é confeccionada no primeiro semestre do ano.

4 - Discutir atualidades com colegas

Compartilhar o conhecimento é muito importante. Segundo Beltrão, consultor do SAS, discutir atualidades e possíveis temas propostos para a redação entre colegas pode ajudar na construção do texto dissertativo-argumentativo do Enem. Ele recomenda que se escolha um tema prévio, como a criminalização da homofobia, e individualmente se investigue fontes, debruce sobre o assunto e, no dia seguinte, em grupo, discutam sobre o tema “Compartilhar o conhecimento, cada um com seu ponto de vista, contrapondo opiniões é muito importante. Assim o candidato vai escrever com mais propriedade e se colocar melhor com os argumentos”, ele orienta.

5 - Atenção para o tempo de prova

O tempo é o maior vilão da maratona do Enem. A prova de redação acontecerá no dia 5 de novembro, junto com as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e a de Ciências Humanas e suas Tecnologias. O aluno tem 5h30min para fazer a redação, passar a limpo, responder às 90 questões das duas provas e preencher o gabarito. Por isso é muito importante ficar atendo ao relógio “Separe uma hora para a redação, sendo 30 minutos para elaborar e escrever o texto e a outra metade para passar o texto a limpo, recomenda Patrícia Reis, professora de redação do Aprovado Pré-Vestibular. “Planeje seu texto escrevendo. O aluno que planeja tudo na mente perde mais tempo escrevendo”, enfatiza a professora Regina Luz. Então nada de perder tempo apenas pensando nos argumentos e referências que serão usadas: escreva tudo no papel!

6 - Aproveitar o rascunho ao máximo

Quando bem utilizado, o rascunho é uma ferramenta para ganhar tempo “Se o aluno quiser fazer do rascunho o próprio texto, ele se perde. Ele precisa escrever no rascunho uma tempestade de idéias, a tese, os argumentos, escrever o repertório cultural interessante que ele possa usar, dado estatístico ... Quando ele passa para o texto definitivo, ele já está com o texto pronto”, aconselha a professora Regina Luz.

“Quando pegar o caderno de provas olhe logo o tema da redação”, sugere Patrícia Reis. Ela recomenda que enquanto o aluno estiver levantando as ideias no rascunho, ele dê uma olhada também no restante da prova “Pode ser que venham textos dentro de questões de outras disciplinas que possam ajudar na redação, por isso é importante conhecer o caderno de provas antes de finalizar a redação”.

7 - Utilizar palavras-chave do tema da redação na introdução

“Um dos macetes que sempre passo é pegar o tema proposto e separar as palavras-chave para entender o conceito, e tentar encaixar ainda na introdução”, explica a professora Patrícia Reis. Ela conta que a técnica é importante para ajudar o aluno a não fugir parcialmente ou totalmente do tema.  A introdução deve trazer ainda sua tese, que será defendida nos parágrafos de desenvolvimento e concluída no último parágrafo.

8 - Verificar a estrutura do texto

Seu texto deve ser coeso, como explica Vinicius Beltrão, Consultor Pedagógico do SAS Plataforma de Educação “A coerência e coesão entre os parágrafos e a adequação do vocabulário é o cerne da dissertação”. De acordo com orientações do Inep, o texto dissertativo-argumentativo deve apresentar a tese e os argumentos que a sustentam de forma clara, ter ideias encadeadas de modo que cada parágrafo apresente informações coerentes com o que já foi apresentado nos parágrafos precedentes, sem repetições e ideias desenvolvidas de forma que justifiquem, para o leitor, o ponto de vista escolhido.

“Uma dica importante na produção textual é o candidato fazer constantemente perguntas. A primeira, que deve ser em torno do tema, é ‘qual é o meu ponto de vista sobre isso?’. Com essa resposta, o candidato vai obter sua tese. Depois, diante da tese, ele faz mais duas perguntas: dois “porquês”, para encontrar os argumentos para sua tese. Então ele consegue planejar um texto bem equilibrado, bem equacionado, para desenvolver sua argumentação com qualidade” recomenda a professora de redação Regina Luz.

9 - Atenção com a argumentação

A cartilha de redação do Inep sugere que se use exemplos; dados estatísticos e pesquisas, fatos comprováveis; citações ou depoimentos de pessoas especializadas no assunto, pequenas narrativas ilustrativas, alusões históricas e comparações na argumentação do texto.

“O aluno pode pegar um dado estatístico ou uma citação presente nos textos motivacionais e, de acordo com o conhecimento dele, argumentar e amarrar a ideia”, explica a professora Patrícia Reis. Ela ressalta que o candidato não deve colocar a informação extraída dos textos fornecidos na prova sem contextualizar e desenvolver com suas palavras “Assim fica solto e deixa o texto pobre. E nunca se deve utilizar o texto motivador na íntegra”, ela enfatiza.

10 - Cuidado com a conclusão

O Inep recomenda ao candidato examinar atenciosamente se conclusão responde à problematização da introdução e se o desenvolvimento do texto apresenta argumentos que convergem para a tese que você defende. Além disso, na conclusão deve ser proposta uma solução inovadora para o problema discutido na dissertação. A professora Patrícia Reis ainda ressalta “A solução deve ser inovadora de fato e deve ser concreta.  Nunca use propostas românticas como “conscientizar o mundo” ou “sensibilizar o outro””, ela alerta. Vinicius Beltrão explica “Os corretores esperam que você tenha uma proposta de intervenção que seja viável e que não viole os direitos humanos”.

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Confira sete sugestões de temas para a redação deste ano comentadas

Os assuntos foram propostos pela SAS Plataforma de Educação:

(1) Ciberbullying  e outros crimes virtuais,
(2) Homofobia e sua criminalização no Brasil,
(3) Os desafios da mobilidade urbana,
(4) O sistema prisional brasileiro,
(5) Ativismo nas redes sociais,
(6) A inversão da pirâmide etária brasileira e a inclusão social do idoso
(7) O conceito de família no século XXI.

1) Ciberbullying e outros crimes virtuais

Grande aposta de muitos professores para a redação do ENEM 2017, esse tema percorre diversas discussões que estiveram presentes nas notícias e nas casas de muitos brasileiros este ano. O recorrente contato dos jovens com o mundo virtual, o que impulsiona o ciberbullying, e o aumento da depressão entre os jovens são questões de extrema preocupação social. A série da Netflix “13 reasons why”, febre entre os jovens, retratou, neste ano, de forma bastante explícita, essas duas questões. A grande audiência da série somada ao caso real da Baleia Azul, o qual faz parte dos nomeados crimes virtuais, preocuparam o Brasil e nos fizeram olhar de maneira mais cuidadosa para os nossos jovens. O aluno, ao se deparar com um tema como esse, pode argumentar que a escola e a família possuem papéis distintos mas complementares no processo de conscientização acerca do ciberbullying e dos crimes virtuais, além de sugerir que o aumento da depressão entre os jovens seja tratado pelo ministério da saúde como um problema de saúde pública, devendo ser visto como foco de combate. (Alana Vivas, consultora pedagógica do SAS).

2) Homofobia e sua criminalização no Brasil

No ranking de países que mais matam pessoas LGBTs, o Brasil se encontra em uma das primeiras posições. Nos últimos anos, a homofobia vem apresentando grande preocupação e comoção universais e pode ser o tema da redação do Enem 2017, visto que questões relacionadas aos direitos humanos comumente são abordadas na prova. A proposta envolvendo a criminalização da homofobia, que não foi homologada pelo senado até então, traz à tona esse assunto, além de que as recentes discussões a respeito da liminar que autoriza psicólogos a oferecerem tratamentos de reversão sexual, a chamada “cura gay”, e a presença de uma personagem transexual em uma novela mostram que o tema está sendo discutido pelos brasileiros de maneira bastante calorosa. Um dos possíveis argumentos contra a criminalização da homofobia no Brasil poderia ser o de que, no artigo 5º da Constituição, “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Sendo assim, o respeito aos homossexuais já seria assegurado pela lei. Porém, caso o aluno opte por argumentar a favor da criminalização, ele poderia alegar que a realidade brasileira não condiz com o que é esperado pela Constituição, visto que a cada 25 horas uma pessoa LGBT é assassinada no país, segundo levantamentos realizados pelo GGB (Grupo Gay da Bahia), e que a punição pelo crime de ódio contra os homossexuais teria o objetivo de reduzir esses números e garantir efetivamente o direito desses indivíduos. (Alana Vivas, consultora pedagógica do SAS)

3) Os desafios da mobilidade urbana

A mobilidade urbana é um notável desafio nas principais cidades do Brasil. O crescimento da população nos principais polos urbanos somado à precariedade dos serviços de transporte público geram trânsito intenso e, consequentemente, desconforto para os indivíduos que necessitam se transportar ao seu trabalho e despendem horas de seu dia em deslocamento. Além disso, conforme cresce o número de carros nas ruas cresce a quantidade de acidentes de trânsito e de problemas ambientais. O aumento da tarifa de transporte público, por sua vez, gera indignação social e manifestações contra esses ajustes, já que os meios de transporte de muitas cidades brasileiras não atendem adequadamente às necessidades da população. Todo esse contexto torna esse tema bastante atual e propício a propostas de intervenção no momento da redação. O aluno, ao se deparar com ele, pode contextualizar a situação nas grandes cidades, usando como exemplo o descontentamento social e o surgimento de transportes alternativos, como os aplicativos de mobilidade, e sugerir que, para reverter a situação, algumas soluções seriam procurar conscientizar a população em relação ao constante uso dos automóveis, persistir em rodízios e implementá-los onde ainda não existem, e investir em um transporte público de qualidade, que seja conivente com o número de habitantes do local. (Alana Vivas, consultora pedagógica do SAS)

4) O sistema prisional brasileiro

O assunto esteve em alta no nosso país principalmente no início deste ano. Acontecimentos envolvendo presídios em vários estados do Brasil demonstraram uma intensa fragilidade no sistema carcerário brasileiro, gerando discussões e especulações acerca de seu funcionamento, dentro e fora do país. A guerra entre facções criminosas ocasionou centenas de mortes, além da sensação de instabilidade e insegurança por parte da população. Manaus, Roraima e Rio Grande do Norte foram os principais palcos dos tumultos deste ano. Outra ocasião que chamou a atenção dos brasileiros foram as grandes fugas de presidiários, que ocorreram principalmente nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Norte. Somadas a todos esses conflitos, a superlotação dos presídios e as condições de vida dos indivíduos que lá habitam tornam esse contexto próprio para propostas de intervenção social por parte do estudante, o qual pode sugerir que haja uma melhoria na estrutura e na inspeção dos locais, diminuindo a precariedade, levando condições de vida dignas às pessoas e controlando efetivamente o que ocorre dentro dos presídios. Além disso, outra intervenção seria a de implementar efetivamente projetos de educação e recolocação do indivíduo na sociedade, visto que a falta dessas ações faz com que o preso, após cumprir a pena, tenha uma grande chance de voltar ao cárcere por não possuir perspectivas de ressocialização, causando a maximização do problema da superlotação. (Alana Vivas, consultora pedagógica do SAS)

5) Ativismo nas redes sociais

Por meio das redes sociais, os indivíduos expressam suas opiniões, debatem sobre questões relevantes e organizam-se em busca de seus ideais. Ciberativismo é o nome que damos ao ativismo social e político desenvolvido dentro das redes sociais, o qual vem crescendo no Brasil e no mundo por meio de diversas manifestações iniciadas e/ou potencializadas por esses meios. Essas manifestações podem ser organizadas pelos integrantes dentro da web, com o objetivo de serem realizadas nas ruas, como também podem acontecer unicamente por meios virtuais. Em muitas ocasiões, quando um acontecimento gera indignação social, grande parte da população se manifesta pela internet, estimulando outras pessoas a fazerem o mesmo e chamando a atenção para as suas demandas e indagações. Um exemplo disso aconteceu este ano, no momento em que a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, teve início. As operações tiveram uma visível repercussão nas redes sociais, e a indignação da população pôde ser percebida e sentida em todo o país. Dessa forma, o aluno pode discutir a importância do ciberativismo como instrumento de manifestação popular, visto que esse meio dá voz à população, mas pode comentar inclusive sobre os cuidados que as pessoas devem tomar em relação às suas atitudes nas redes, como o compartilhamento de notícias falsas e especulações, vindas de fontes não seguras. (Alana Vivas, consultora pedagógica do SAS)

6) A inversão da pirâmide etária brasileira e a inclusão social do idoso

A população brasileira tem passado nos últimos 70 anos por uma inversão em sua pirâmide etária. O IBGE realizou um estudo em 2016 apontando a redução da taxa de natalidade e a longevidade da população brasileira. Mudanças socioeconômicas, avanços tecnológicos, processo de urbanização e políticas públicas mais consistentes garantiram expressiva melhoria na qualidade de vida do brasileiro. Entretanto, há consequências. Atualmente somos considerados um país adulto, e a estimativa é que até 2050 passemos à categoria idoso. O país conta com mais aposentados do que contribuintes, o que deu precedente à reforma da previdência proposta pelo atual governo. Hoje, a média de idade em que um cidadão começa a receber o benefício da aposentadoria é 54,7 anos de idade. A intenção é aumentar a idade mínima para 60 anos, considerando especificidades de algumas carreiras, como os docentes e militares. Um dos argumentos protestados pela grande massa que se opõe à reforma é que o benefício geralmente não é o suficiente para garantir uma vida confortável ao aposentado ou pensionista. Outro agravante é que o mercado de trabalho brasileiro ainda vê com preconceito idosos que buscam recolocação. Algumas melhorias que podem ser consideradas para o caso é a ampliação da oferta de cursos voltados para a área geriátrica, serviço médico especializado, transporte público apropriado para idosos, programas de formação continuada e garantia de postos de trabalho para aqueles que desejam permanecer contribuindo. (Vinicius Beltrão, consultor pedagógico do SAS)

7) O conceito de família no século XXI

A concepção de família no mundo tem mudado significativamente desde o século passado. A família nuclear composta por pai e mãe, hoje divide espaço com mães que optam pela produção independente, casais homoafetivos, crianças que são criadas por avós, casais demasiado jovens, entre outros. A imagem familiar em que o home trabalha e a mulher fica em casa cuidando dos filhos parece distante. Hoje, homens e mulheres conquistam o mercado de trabalho em igualdade. A educação dos filhos fica por conta das escolas, em sua maioria em tempo integral, que assumem a responsabilidade pelos pequenos. Os direitos conquistados por casais homoafetivos também colaboram para essa mudança. Por outro lado, há quem ainda se choca com essa nova concepção familiar, como grupos religiosos que defendem a família tradicional e políticos conservadores que tentam aprovar projetos de lei que representam retrocessos nas conquistas sociais alcançadas. Vive-se em um mento de evolução de direitos e liberdades individuais da sociedade contemporânea. Cabe ao poder público assegura legalmente as diversas formações familiares, garantindo proteção física, moral e psicológica a cada um dos seus constituintes. (Vinicius Beltrão, consultor pedagógico do SAS)

Fonte: www.correio24horas.com.br

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